quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Genética Podre

Certa vez li em O Diário de Anne Frank, numa passagem em que ela está argumentando com um professor sobre o motivo de ser tão tagarela, a seguinte frase: "contra defeitos hereditários pouca coisa se podia fazer". Essa quote ficou eternamente gravada no meu crânio, e olha que ela já está lá por pelo menos 10 anos até agora. Aos meus 11 anos ela significava exatamente o que Anne quis dizer, que as filhas herdam o dom de falar das mães, mas hoje em dia isso me diz muito mais. E assim explico como hoje vim a ser uma pessoa tão cruamente realista e, talvez, até meio "Coruja da Depressão".
Tudo começou quando minha mãe e meu pai se casaram - na verdade, começou muitas décadas antes disso, mas isso vem depois, pois ordem cronológica não tá com nada. Minha mãe tinha 22 anos quando se casou, e a esta época ela trabalhava em um banco que faliu poucos anos depois e não havia feito faculdade ainda. Porém, menos de 2 anos depois, eu nasci. Ela refletiu acerca de cursar uma universidade a partir disso, mas pelo fato de trabalhar muito e ter 01 criança pequena pra criar, ela acabou empurrando pra depois, pra depois, até que desistiu. Então, quase 10 anos depois, quando ela já estava praticamente superando essa frustração, ela engravidou novamente, e meu irmão nasceu - atrapalhando ainda mais a vida dela, visto que nesta época meus pais estavam se separando.
Essas poucas linhas já resumem bem o espelho que tenho para me inspirar (ou não), mas, na verdade, o buraco é mais embaixo. Como eu disse anteriormente: eu menti. Esse não foi o início da história.
Mas continuemos. Apesar de não ter feito faculdade por falta de tempo, entre outras desculpas, minha mãe (e meu pai também) trabalhava tanto que eu ficava com a minha avó. Mas não se engane, não: minha avó era oficialmente a minha babá, ela tinha carteira assinada e tudo. É claro que isso não a impedia de ser uma clássica avó, como todas as outras avós. Desde criança, ela me contava os causos da vida dela com muita frequência, tendo contado a história a seguir pelo menos umas 37 vezes em toda a minha vida (em todas elas eu ouvia atentamente e fazia comentários de surpresa, só pra entrar não desestimulá-la).
Quando tinha 18 anos, minha avó se apaixonou por um colega da tecelagem onde trabalhava. Eles ficaram muito tempo "tirando linha" um com o outro, até que o romance finalmente aconteceu. Eles namoraram escondido por vários meses, pois o pai dela era muito intolerante e arrancaria o couro dela e a chamaria de prostituta se soubesse da novidade. Sempre que ela descrevia seu primeiro amor, ela associava-o ao bonitão do Elvis Presley, tanto no quesito sorriso quanto no simpatia. Orlando era o nome dele. O namoro era lindo e só flores, até que Orlando resolveu oficializar a relação e apresentar-se ao pai da moça. E foi logo após disso que o namoro terminou, por qualquer motivo que seja, e a jovem Mercedes sofreu de amor por um longo tempo, tendo ficado até doente de tristeza.
Como era incapaz de amar outro, ela passou muitos anos curtindo a juventude, e aos 26 anos (quando já estava literalmente ficando pra titia), ela conheceu meu avô, que era apenas "simpático", e, considerando que ele se esforçava de todas as formas possíveis para conquistá-la, ela deixou-o levá-la ao altar - apesar de ele ser apenas um humilde feirante que veio do Piauí. Afinal, se ela não se casasse com ele, estaria desperdiçando uma oportunidade de se casar e procriar, como toda moça direita deveria fazer nos anos 60. OK. Casamento feito, expectativas realizadas. Mercedes Rufatto... da Costa. Afinal, o homem é o dono da mulher na nossa sociedade patriarcal e ninguém discute, não é? Pouco tempo depois veio o primeiro bebê. A minha avó não curtiu muito a experiência não, ao contrário das supermães modernas que insistem em dizer que parir é uma "arte", uma "dádiva", entre outras coisas piegas que ainda me causam vontade de vomitar.
Menos de um ano depois, veio o segundo bebê - a minha mãe, aquela do começo do post. A minha avó não tinha inclinação pra maternidade, mas continuou a parir, pois, afinal, o que é que se podia fazer? Evitar, de jeito nenhum, né? Enfim, a coisa toda só acabou quando minha mãe já tinha seus 10 anos e ganhou um irmãozinho - ah, o varão! -, e a Dona Mercedes decidiu fechar a fábrica. Nos anos 70 os anticoncepcionais já eram um pouco menos estigmatizados, então beleza!
Enfim, tendo sido criada pela Dona Mercedes, eu passei a vida toda ouvindo ~essa e outras histórias~ (daria um livro com título semelhante), mas as que me marcaram mais eram as que contavam sobre o primeiro e possivelmente único amor verdadeiro da vida dela, e também sobre como ela se arrependia de ter tido filhos, de ter engravidado, et cetera, et cetera. Não tem como uma pessoa não se impressionar por essas coisas, ainda mais tendo sido fator determinante das outras coisas (favor verificar no início do texto).
E assim - sendo filha da mãe mais frustrada com casamento, família e filhos do Brasil varonil e neta da senhora que mais sofreu pelo seu primeiro amor e engoliu um monte de sapo depois disso só para cumprir com a expectativa da família-sociedade patriarcal-machista da época - eu cresci. Tenho todos os motivos do mundo para não querer cometer os mesmos erros que levaram minha mãe e minha avó às lágrimas e ao caminho da frustração. E assim eu me tornei uma pessoa realista; percebi que os casais mais feliz que conheço são os descasadados e/ou sem filhos; estudei autores feministas no segundo ano da faculdade; vi namoros e casamentos terminarem em desgraça e infelicidade; ganhei Histórias Íntimas de presente de natal do namorado; e, afinal, virei o que sou hoje.
Hoje eu vou em casamentos e eventualmente (leia-se: quase sempre) choro, mas não de emoção. Eu choro de desespero, porque sei que a probabilidade daquilo continuar sendo um sonho dourado dos contos de fadas é de aproximadamente -69%. E hoje, se você vier me chamar de amargurada ou mal comida, eu só tenho duas coisas a te dizer: 1) "(...) a mulher se considerava um objeto, pois criada exclusivamente para aceitar como padrão de comportamento a instituição do matrimônio. Fora disso e da vida religiosa, só existiria 'degeneração'"¹; 2) mal comida é a SUA avó. A minha não. Aliás, descanse em paz, vó. 6 meses sem você e eu já sinto uma infinita falta das histórias que você poderia estar me contando de novo.




¹DEL PRIORE, Mary. Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ca-fo-na


cafona
ca-fo-na adj m+f (ital cafone) gír De mau gosto: Chapéu cafona. s m+f 1 Pessoa que se caracteriza pela falta de bom gosto ou pelo gosto estragado, principalmente no trajar e nas coisas da vida cotidiana. 2 Pessoa sem modos, acafajestada.

quer dizer: sim, eu sou cafona! DENTRO DO MEU ÂMAGO, tenho gosto estragado pra um monte de coisa.
adoro quando toca "nuvem de lágrimas" na voz de chitãozinho e xororó.
acho tim maia tão foda que dá vontade de berrar todas as musicas.
gosto de lã.
e passei a acreditar em numerologia.
penso em casamento as vezes. mas morar junto já está bom: é mais proximo do possível - número 8 que sou.
só que hoje eu queria tanto ir na mostra das noivas comer docin, uns salgadin,
pegar umas bebidinha 0800. ver as decorações. fingir que to casando.
ai chamei o japa.
e na réplica, fui chamada de cafona.
fui chamada de cafona pelo meu namorado.

que quer casar dentro de um rojão.

O MEU SANGUE FERVE POR VOCE!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A Saga da Corsetmaker Podre

Ter um dedo podre é praticamente um estilo de vida. Você não simplesmente escolhe os piores namorados ou namoradas, mas você também escolhe as piores carreiras, os piores cupons no Groupon e também as piores costureiras pra fazer as suas roupas. Ok. Não é sempre que isso acontece, visto que consegui fazer uma ótima escolha de roupa para a minha formatura, para compensar a frustração dos 4 anos anteriores. Mas daí você resolve variar, conhecer o trabalho de outras corsetmakers... e se dá mal. Claro.
Tudo começou há muito tempo atrás, quando, ainda no Orkut, eu comecei a namorar um modelo de waist cincher (que é um corset mais curto, que se ajusta especialmente na área da cintura) da marca que vamos chamar de BC. Conversei com a corsetmaker, a S., sobre alterações de tecido e fechamento que poderiam ser feitos, e o preço final ficou bem atrativo.
Depois de muito tempo na minha to-do list, resolvi encomendar a gracinha.
Primeiro, tive que mandar a mesma mensagem duas vezes (no crtl+c ctrl+v mesmo) em dois dias diferentes, pois a S. não havia me respondido. Aí ela respondeu, combinamos tudo, e fui depositar a primeira parcela quando vi que a agência dela era perto da minha casa. Perguntei se ela morava na região, e descobri que sim. Combinamos que o corset seria então entregue em mãos, já que eu poderia inclusive ir buscar de carro.
A S. me deu o prazo de 25 dias para a confecção do corset, o que culminaria no dia 20 de maio. Aguardei ansiosamente, e, quando chegou a hora, só o silêncio. No dia 21 fui perguntar se o corset já estava pronto. Ela me respondeu somente no dia 22. Eu me propus a buscar o corset, e ela se recusou, dizendo que a marca ainda não possuía ateliê, e que ela me entregaria o corset. Depois de alguns dias dela insistindo nessa história, combinamos que o namorado dela me encontraria em algum lugar e me entregaria a peça, e então eu pagaria o restante do valor.
Combinamos numa quarta, as 16h. Ele me ligou as 16h perguntando onde e que horas nos encontraríamos, pois estava saindo de casa. Resolvi facilitar e encontrá-lo no shopping, onde seria mais rápido. Mas fiquei esperando ele aparecer por 1 hora e 20 minutos (tempo suficiente para eu ser perseguida por um tarado e rodar o shopping todo atrás de um segurança. Mas essa fica pra outro dia). Além disso, ele me informou neste momento que eu teria que pagar a condução dele. A sorte é que nesse dia eu tinha R$3 em moedas, pois do contrário eu ainda teria que ir tirar dinheiro pra isso, que, por acaso, nem tinha sido combinado. Mas eu nem disse nada. O corset, que deveria ter ficado pronto dia 20, estava em minhas mãos - 10 dias depois. Fui com o corset pra casa.
No dia seguinte, fui vestir o corset novamente. Os fechos frontais, que eram fechos individuais de metal (e não um busk), eram muito difíceis de fechar. Depois de 5 minutos com o corset no corpo, quando comecei a ajustá-lo atrás, escuto um ~CREC~ e um dos fechos simplesmente cai. Inconformada, peguei o fecho e fui olhar o que tinha acontecido, ainda com o corset no corpo. CREC CREC CREC, mais 3 fechos quebram. Mandei uma mensagem para a S. no mesmo minuto, avisando do ocorrido. Não só fiquei frustrada pelo defeito, mas também com a eficiência no atendimento... ela me respondeu mais de 24h depois. Conversamos sobre as possibilidades e resolvi trocar os fechos por um zíper, afinal eu usaria o corset sob a roupa - e a troca por zíper sairia "de graça".
Mas a saga continua. Me ofereci para levar o corset, e ela recusou, me dizendo que mandaria o namorado vir buscar o corset na minha casa numa quarta-feira. Eu fiquei a tarde toda em casa esperando, e nada. Nem sequer uma explicação. Eu fui obrigada a ir perguntar o que tinha acontecido, e, ainda sem dar justificativa alguma, ela remarcou para o dia seguinte, que era um feriado. Eu avisei que estaria disponível somente durante o dia, e ela disse que o namorado viria às 11h. Me programei para recebê-lo, entregar o corset, e ir fazer o que eu tinha pra fazer. 11h. 11h30. 11h40: recebo a ligação dele, dizendo que estava saindo de casa. Aguardei..................até as 13h30. Afinal, eu tinha mais o que fazer, não tinha? Deixei o corset para que a minha mãe entregasse para ele, e fui ao mercado. Ele apareceu somente por volta as 14h. Nenhuma justificativa, é claro.
Já com o corset em mãos, a S. não se preocupou em me avisar quando ficaria pronto o corset e nem se ela entregaria pra mim ou não. Então lá vou eu, de novo, perguntar. Ela me disse que ficaria pronto na terça seguinte. Segunda, terça, quarta. Nenhum sinal de vida. Teria S. morrido costurada na própria máquina de costura? Na quinta-feira, minha paciência finalmente foi dar uma volta no espaço sideral. Enviei uma mensagem no celular dela, à meia-noite mesmo, foda-se, dizendo que eu já estava de saco cheio de tanta enrolação e que queria pegar o corset logo e acabar com essa história.
Ela me respondeu no dia seguinte, pelo Facebook, uma grande bíblia dando uma de vítima, alegando que eu havia me recusado a pagar frete, que eu não sabia usar, fechar e guardar um corset, que ela tinha sido super legal, que estava se esforçando, e que, enfim, eu estava reclamando à toa. Tadinha, até rolou uma lágrima aqui, só de pensar. Assim, ela marcou um lugar e hora para que eu me encontrasse com ela - naquele mesmo dia! - sem nem se preocupar se eu poderia ir ou não. Mas quem me conhece sabe: eu sou uma pessoa paciente, mas não abuse, pois toda paciência tem fim. Eu respondi a minha versão bíblica, e disse a ela que não poderia encontrá-la naquele horário. Que, se ela quisesse, que fosse me entregar no mesmo horário no dia seguinte. E finalizei dizendo que não discutiria mais, pois do contrário eu sairia do sério e começaria a mostrar pro mundo o que eu passei comprando um corset dela.
"Da água para o vinho". Essa expressão denota o que aconteceu com a S. nesse momento. Ela alegou ter segurança quanto aos seus serviços e produtos, e que eu não tinha motivo para reclamar no PROCON ou qualquer que fosse o órgão - pois ela só recebia elogios das clientes. Mas disse que realmente, discutir não era necessário. Que tudo se acertaria. Que o corset estaria perfeito. Et cetera et cetera et cetera.
Finalmente, marcamos um horário num local próximo à casa dela, e eu fui buscar o corset. Ela disse que me entregaria pessoalmente. Mas é óbvio que, chegando lá - propositalmente atrasada, já que tudo tem volta nessa vida - dei de cara somente com o namorado dela, que me entregou o corset, e com um sorriso amarelo no rosto, me passou as recomendações enviadas pela Srta. S. Coisas óbvias como "não abrir o zíper com o corset apertado" e "não passar o corset com ferro", porque, afinal, eu era uma anta mesmo. Só uma anta mitológica encomendaria um corset da marca BC.
Mas enfim. Eu vesti o corset somente duas vezes desde então - um mês após a data que era para o corset ter sido terminado -, pois o medo do zíper fazer CREC e estourar fala mais alto. Eu não recomendo viver assim, sob a pressão constante de algo dar errado. Mas, apesar de tudo, essa saga me ensinou uma grande lição: uma vez que você tem sua corsetmaker de confiança, jamais abandone-a. Pegue sua corsetmaker e amarre-a junto do seu coração, apertado como um corset de tight lacing. Mas se você, como eu, cometeu um erro desse tipo na vida, apenas torça para o seu corset não apresentar mais nenhum defeito no futuro. A não ser que você goste de histórias épicas e longas sagas intermináveis. Sei lá, eu não gosto. Mas alguém tem o Lobos de Calla, do Stephen King, pra me emprestar?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Relembrando velhas músicas


Uma pessoa na minha timeline do Twitter postou essa música do Bidê ou Balde e, ao ouvir, me lembrei instantaneamente dos muito velhos tempos em que esta letra era o único consolo após o término do meu namoro de dois anos e meio. À época, era tão bonito pensar positivamente assim sobre o futuro.
Hoje, vendo que o tempo já passou, posso, com o coração tranquilo, definir o quanto da música se concretizou, sem nunca perder a oportunidade de zoar o ex, claro. Um texto despretensioso para a diversão da garotada.
Ps.: não é que eu não tenha nada pra fazer. To tentando me distrair e esquecer que minha formatura será daqui 9h.

Ela vai mudar 
Vai mudar, ficar mais inteligente e bonita e esperta - cof cof

Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou
Por exemplo: do seu ex-melhor amigo de banda.

Vai ficar feliz de ver que ele também mudou
Feliz principalmente por ver que largou aquele traste antes que ele começasse a mudar demais e virar o que é hoje.

Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Especialmente se a paixão for por um dos seus amigos, só pra enfatizar.

Mas espera que ele ligue a qualquer hora
Pra falar com a mãe dela, que é a única que dá moral pra ele hoje em dia.

(...)

Ele vai mudar
Leia-se: ficar cada vez pior.

Escolher um jeito novo de dizer "alô"
Foda-se.

Vai ter medo de que um dia ela vá mudar
Agora já era, né champz?

Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Olha como não esquece! Ta aqui fazendo uma homenagem a ele...

(...)

É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Se "amor" for aquela paçoca, realmente: é sempre Amor, nunca mudaram o nome dela!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como se dar mal no brejo (em 15 passos)


Pois é. Eu terminei meu TCC, estou sem nada pra fazer, estava assistindo os vídeos das Dedilhadas  mas como minha internet consegue ficar pior do que já é de nascença com meu irmão baixando jogo pelo UTorrent, to aqui.
Esses assuntos sapatônicos me renderam não só um calor hormonal que vai sobrar pro namorado depois (risos), mas também me lembrou que eu prometi explicar como se dar mal com mulheres. Pois não só de homens se faz um dedinho podre. Você tem que ter O dedo podre pra conseguir escolher errado ATÉ quando você muda de time.
São 15 passos simples e rápidos que você deve seguir, tudo baseado na minha incrível experiência de passagem pelo mundo sapatônico.
Para se dar mal com mulheres, você deve começar assim:

1. Tenha um (ou dois, ou três, ou mil setecentos e oitenta e cinco) sonho em que você está pegando loucamente alguma colega de sala (que é bonitinha e lésbica, mas que você – hétero convicta que é jamais cogitou pegar).
2. Conte para seus amigos (sempre seguido de “foi só um sonho, gente”) e CONTINUE tendo os mesmíssimos sonhos com a mesmíssima pessoa.
3. Fique loucamente apaixonada por esta pessoa. Conte para o seu namorado (ele diz que também pegaria ela fácil). Comemore (por dentro) o fim do namoro de 3 anos dela. Tente se aproximar dela. Jogue uma ~hipótese~ e leve uma ~bota hipotética~.
4. Veja ela andar por aí com a nova namorada – que por acaso é alguém por quem você tem muito carinho e nem pode dedicar todo seu ódio. Aceite isso. Supere. Saia com elas em várias ocasiões, para ver como elas são fofas juntas.
5. Levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima – afinal, você nem curte meninas tanto assim.
6. Passe a ignorá-la sempre que possível, mesmo sabendo que ela está solteira de novo.
7. Namore um cara idiota. Termine com ele e beije sua melhor amiga (não necessariamente nesta ordem). Mas não porque vocês se desejam e sim porque vocês são bissexuais e estão bêbadas.
8. Passe por muitas decepções com homens e decida ficar apaixonada por aquela outra garota da faculdade – a do time de futsal #SIGNIFICA.
9. Tente desesperadamente se aproximar. Falhe.
10. Encontre-a na balada (gay) e use sua melhor amiga (aquela que te pegou) pra puxar assunto com ela e descobrir que ela tem uma NAMORADA. Japonesa.
11. Fique sofrendo na balada e pegue 1) a menina que seu amigo queria pegar e 2) uma menina legal, pra compensar o saldo do dia.
12. Seja sumariamente ignorada pela garota do futsal na faculdade. Fique BFF da namorada dela.
13. Mude de ~vítima~ e se apaixone por uma garota de cabelo roxo.
14. Descubra que ela é hétero. Veja-a pegando um carinha com cabelo de Restart no meio da multidão universitária.
15. Volte a ter sonhos com a sua colega de sala. Desista de mulheres (pelo menos temporariamente). Namore um cara pirocudo. Seja feliz assim.

Bom, gente, é isso! Seguindo esses passos corretamente é CERTO que você só se dará mal com mulheres (especialmente se você for uma)!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

dias podres

ultimamente minha vida está tão boa (e corrida) que eu até esqueci de voltar aqui e refletir sobre as podridões que me cercam. mas como nem tudo são flores, sempre tem aqueles dias que são um cu.
vou contar detalhadamente como estes dias já nascem fodendo o meu humor detalhadamente:

- 7:10 é a hora que acordo. meu despertador é sempre alguma música de alguma banda que eu gosto muito na esperança que eu acorde dançando em ritmo de festa. mas geralmente eu seleciono o snooze e só levanto dez minutos depois.

 - 7:22 é quando eu tenho coragem de levantar, tiro a ramela dos olhos e já ouço minha gata miar e a calopsita gritar

- 7: 24, eu lavo meu rosto com sabonete esfoliante pra tirar bem o peróxido de benzoíla a 10% do meu rosto que sofre com acne e manchas, e escovo meus dentes enquanto faço xixi ou cocô (depende do dia anterior), meu cabelo está parecendo uma arapuca e eu durmo na privada

- 7:26, da privada, eu ouço meu vizinho escutar forró e me pergunto quem eu matei pra merecer isso.

- 7:32, tiro meu pijama e penso em qual roupa vestir e enquanto decido mentalmente, vou arrumar meu cabelo. uma trança e já era

- 7:38 passo protetor solar, base e corretivo nas olheiras, nem aí pra maquiagem de miss.

- 7:41, visto qualquer roupa porque a que eu decidi mentalmente não tem no meu armário (aquela calça jeans linda da iodice); vou de camiseta do Motörhead e chinelo havaiana. Enfio todas as tralhas dentro da bolsa CHENSON, que segundo a Priscila é puro luxo e requinte por r$19,99

- 7:44, eu checo tudo da bolsa desde o kit manicure até o carregador do VAIO. Sim, eu tenho um VAIO comprado nas prestação do cartão da mãe da minha amiga porque meu nome tá sujo.

- 7:50, é a hora que eu pego o ônibus. Não pensem vocês que é apenas um ônibus comum: É O TERMINAL PARQUE DOM PEDRO. Mas calma, Gisele, há outra alternativa. Ah é, qual? PEGAR O LARGO DA CONCÓRDIA. Me julguem. É aí que a sessão tortura começa. Vamos lá
1º - É pinto, é peito, é bunda,  é suvaco, e não; não é o fim do caminho, é apenas o começo. Todos fedidos logo pela manhã, exalando aquele odor de floripa. Nos EUA, os americanos comem bacon no café da manhã, né? Pois aqui, meu filho, o bacon é substitiudo por peixe do dia anterior, o mesmo que é levado na marmita do proletário; aquela marmita gostosa, que fica roçando na minha cara enquanto eu tento encontrar meu fone de ouvido porque ALGUEM está ouvindo FUNK, FORRÓ, PAGODE, REGINALDO ROSSI.
2º - Que alivio! Consigo sentar. Não é um lugar na janelinha, por isso há pessoas passando no corredor e metendo a bolsa na minha oreia, espirrando no meu cabelo, o tio de dois metros de altura ~quase~ sentando no meu colo! tudo isso em um ambiente agradável de -0,0000112387m² por pessoa.


CONTINUA.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Priscila, 20. Formada na USP, desempregada.


Estávamos tirando a foto da turma para o convite da formatura, e, quando o fotógrafo sugeriu que sorríssemos, surgiu uma sugestão anônima no meio do grupo: “digam ‘DESEMPREGOOOO’!”. E foi assim que eu tive a magnânima ideia de mostrar pra vocês que, quando você nasce com um dedo podre, as suas escolhas erradas englobam tudo na sua vida, desde os óbvios relacionamentos frustrados até a escolha da sua carreira.
Agora voltemos ao começo. Estudei no ensino médio em uma escola particular particularmente muito ruim. Minha queridíssima tia me deu de presente uma inscrição na FUVEST, e eu, confiante em mim mesma que sou, prestei o vestibular “só pra ver como é”, já que acreditava que não passaria mesmo. Os meses que envolvem essa história já renderiam um texto, mas vamos pular pra parte em que eu passei na tããão disputada, cobiçada e - atualmente - polêmica USP.
Tive de me esforçar muito sozinha pra conseguir aprender o suficiente pra passar raspando. Estudei para a segunda fase história e literatura, enquanto na prova de física só faltou eu ter uma crise de choro. Mas passei, mesmo acertando 3/40 na prova de física (sobre isso: não contem pra ninguém, ok?). Fiquei mais ou menos em 50° lugar, de 60 vagas. Mas, foda-se: PASSEI!
Então eu comecei esse curso que – juro ‒ nem eu sabia do que se tratava. Você, por acaso, com 16 anos, saberia o que faz uma pessoa que estuda “Tecnologia têxtil e da indumentária”? Pois é, eu também não. Mas eu queria fazer roupas, expor minha moda, e achei que tinha tudo a ver. Grande erro, o meu! No primeiro ano fui surpreendida por uma coisa engraçada chamada Ciclo Básico: eu tinha aula com gente de vários cursos diferentes, e as matérias iam de “Ciências da Natureza” até “Tratamento e Análise de Dados/Informações” (sobre essa matéria: passei raspando). Todo estudante da USP Leste odeia o Ciclo Básico por convenção, e, embora eu fosse uma exceção, devo admitir que ficar 1 ano do seu curso tendo matérias de ensino médio de fato atrapalham MUITO sua evolução acadêmica. Estágio no primeiro ano, nem pensar, né? Quem é que vai contratar em uma confecção um newbie que só sabe fazer mapas conceituais ligando literatura com heliocentrismo?
Pois bem. Tudo acaba, e o primeiro ano acabou. Pra resumir, o segundo e o terceiro anos foram “planos”. Embora a grade curricular do curso tenha mudado incontáveis vezes, não vi nenhuma melhora no nível das matérias e dos professores. Embora, por sorte, alguns professores das últimas levas trouxeram grandes contribuições para o curso, a maioria do corpo docente nem fede nem cheira. Um ou outro dita, os outros concordam. Assim, nada realmente muda: o curso continua dentro da mesma caixa na qual esteve nos últimos 6 anos, desde que surgiu. Daí decidiram mudar o nome do curso pra “Têxtil e Moda”, e, OPA!, parece que agora dá pra entender do que se trata pelo nome. Batata: de um ano pra outro o número de candidatos por vagas duplicou. Se você também é hype, com certeza vai desejar estar neste curso da USP que tem “moda” no nome. Mas que continua sendo um curso pra gente chata com cabelo estranho que tem paixão por calcular a velocidade da produção
 de um tear jacquard.
Quarto ano, e apenas uma palavra: decepção. Posso afirmar para você que vi pessoas desistindo. No quarto ano. Nadar, nadar, nadar, e morrer na praia? Sim, mas confesso que entendo essas pessoas. Junto da decepção ‒ a decepção de chegar nos finalmente sem realmente sentir que aprendeu algo útil pra sua carreira ‒ vieram o desespero, o desgosto, a impaciência, a vontade da matarDIGO, depressão. Chegar ao último ano foi quase como poder respirar, mas também foi um momento legal pra taparem nossos narizes. As matérias mais inúteis. Os professores mais egocêntricos. O maior nível de faltas. A menor vontade de sair de casa pra chegar na faculdade e saber que não tem aula. No último ano, além de ter desistido da homeopatia e da psicoterapia pra partir pros ansiolíticos e antidepressivos, eu tive que aprender a não desistir: eu tinha um TCC inteiro pela frente. Mas acredita se eu disser que esse foi dos menores problemas? Por mais que tenha sofrido um bocado com a negligência de professores e com a falta de material didático útil pra minha pesquisa, o TCC foi bastante inspirador pra decidir o que eu quero pra minha carreira. Apesar disso, eu não associo em nada essa minha decisão ao curso que fiz, no máximo 5% de culpa ele levou nisso. Tive apenas uma matéria voltada para o design de superfície, área de design que eu me apaixonei e escolhi pra mim. Isso não foi nem de perto o suficiente para que eu conseguisse um emprego, muito menos na área.
Os problemas que tive, entre matérias impossíveis de se entender, colegas de sala que acham que são os vilões de 15 anos da Malhação, professores que acham que são reis da cocada preta e podem te tratar como um inseto, vagas de emprego para as quais nunca fui chamada, propostas (irredutíveis) de trabalhos acadêmicos absurdos que valem a nota de um semestre envolvendo atores pornôs transexuais, cobranças do mercado de trabalho que eu não podia suprir, semestres de aulas que não existiram, tempo desperdiçado com coisas irrelevantes, dinheiro gasto com terapias... TUDO, a todo momento, me forçava a parar. Mas não sei ainda se fui até o fim por persistência ou por acreditar em algo que ainda não posso ver: meu diploma, extremamente imponente, com as palavras Universidade de São Paulo nele impressas. Falta pouco, mas ainda vou tê-lo em meus braços. E só aí vou saber se a escolha que eu fiz aos 16 anos foi tão podre quanto me pareceu nesses 4 anos, ou se eu estou melhorando minha forma de fazer escolhas.

Saldo:
  • Não sei costurar
  • Não sei desenhar croquis
  • Não sei fazer fichas técnicas
  • Não sei usar programas importantes para a área de têxtil e moda, tais como: Illustrator, Photoshop, Tex Design, Lectra, CAD (Corel aprendi depois de gastar R$500 em um curso livre).
  • Não tenho nenhum portfólio resultante dos “trabalhos práticos”
  • Não entendo nada de moda (pra não dizer "nada", entendo tanto quanto os meninos do Todo Dia Um Look)
  • Não sou ryca, famosa, phyna e não ganho litros de dinheiro fazendo roupinhas medíocres
  • Mas já planejei uma coleção de roupas para 2 atores pornôs (Allanah Star e Buck Angel, google it)
  • Sei o que é uma maçaroqueira e posso dizer que uma malha canelada é diferente de uma malha rib
  • Fiz um TCC que rendeu 200 páginas e 57 estampas, mas que ninguém nunca vai ver e achar relevante.


Bom gente, é isso aí! Tenho consulta no psiquiatra agora em dezembro, Pretendo fechar esse ciclo da minha vida muuuito de boa na lagoa! (e aos convidados da minha formatura: torçam pra que tudo dê certo e AHAZEM!!!)

Fica aí pra vocês um exerciciozinho do 3º ano, pra vocês invejarem meu glamour.